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PARA A B R I R A CABEÇA:

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      a b r i n d o


T e n h o  t r ê s  d e l e s, dois são adotados. O outro também, mas desse eu participei do resgate. Estávamos eu e meu namorado voltando da academia e, perto da calçada, escondido, faminto e assustado, estava ele. O gatinho foi corajoso, grunhiu ameaçadoramente, ouriçou os pêlos sujos de todo seu corpo minúsculo. Teria morrido atropelado se não o tivéssemos acolhido.

Frank Black, o mais velho, foi adotado de uma veterinária, e a Bufy foi um presente de um amigo. Cada um deles têm um temperamento diferente. Claro que o Teteto (como passou a se chamar) é o mais novinho, não deve ter mais um ano, e portanto o mais endiabrado. Lembro de quando demos banho nele, assim que o trouxemos da rua e o colocamos sobre o monitor do computador para que se aquecesse. Ele devia pesar umas duzentas gramas, e agora está enorme, como um bom gato-vaquinha deve ser. O Black é mal humorado, mimado, temperamental. A Buffy é pequena e doce. Tem olhos tristes e um miado assustador.

São três gatinhos andando pela casa. Dois deles, vaquinhas. Um, siamês. Pêlos diversos grudados em todas as roupas, comida de gato, areia de gato. Doze patinhas peludas, sessenta e seis pequenas almofadas rosadas pisando o chão, seis olhinhos atentos, dilatando e contraindo suas pupilas, enxergando mais que eu. Na cama, parece haver centenas deles, que dormem aos nossos pés, barrigas, braços e ocupam muito, muito espaço. Olho para eles e penso como pode existir tamanha perfeição?

 


Escrito por Gil às 13h26 [ ]




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