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M a i s u m a v e z sonhei com a representação do meu inconsciente: uma piscina.
E, como sempre, me espantei quando, ao narrar o sonho ao meu namorado (um grande psicólogo, que odeia a idéia de ser um grande psicólogo, hehe), descobri que havia novamente sonhado com piscina. Isso fez com que eu percebesse a importância do sonho.
Nele, eu havia chegado novamente na casa dos meus pais, no sul, e parece que havia passado muito tempo fora. Ao chegar, a casa (que pode ser uma representação da minha constituição psíquica) estava passando por reforma total. Meu pai (um “novo” pai, mais decidido, em harmonia com minha mãe, e não aquele que está sempre sujeito a fazer tudo o que ela quer) estava construindo um muro ao redor dela, mas era um muro bem diferente, de tijolos maciços postos de comprido. O muro não isolava completamente, era feito com intenção de embelezar, mais que qualquer outra coisa (a casa verdadeira tem muros enormes para isolá-la por completo, e minha mãe gosta de viver reclusa). A casa parecia também servir de hotel ou restaurante, pois era normal a passagem de pessoas por lá. Porém, haviam ali avaliadores que estavam fazendo um levantamento do valor de cada uma das coisas, para colocar no seguro, e isso me incomodava um pouco. Leram meus textos para avaliar. Liam com ar profissional, avaliando não a carga emocional, mas o valor que teriam no mercado. Eu queria usar o banheiro, mas estava em reforma, por isso minha irmã colocou um balde em um dos quartos, e eu tive que fazer cocô ali (!!!), com a abertura ainda sem janelas, e onde não percebi nenhuma porta. Abri o guarda-roupas e vi um vestido que minha tia havia dado para minha mãe, que nunca o usou. Parecia fora de moda, e, sabendo que minha mãe é bem maior que eu, ele não me serviria. Mas ao vesti-lo, serviu perfeitamente, e caiu muito bem (talvez eu tenha finalmente incorporado alguma lição que minha mãe me ensinou). O vestido era muito decotado, e eu o vesti de sutiã, com vergonha de tira-lo na frente de alguém, mas acabei tirando. Sentei no balde para fazer cocô (que vergonha!) e meu pai apareceu na abertura da janela e falou comigo, os avaliadores entravam e saíam, indiferentes, e depois entrou meu chefe e perguntou se eu estava fazendo cocô. Fiquei completamente sem jeito, e derrubei a água do balde. Depois entrou minha mãe e tirou de algum lugar um maço de notas de cinqüenta reais, e me deu uma, dizendo que eu poderia gastar, mas eu disse que ia guardar (na vida real, minha mãe jamais faria isso, e eu, até alguns anos atrás, gastaria, e não guardaria. Isso parece comprovar que eu aprendi o que minha mãe sempre quis me passar, que é pensar mais em economizar, pra ter quando preciso. Talvez até mais que isso. Há uns dias, falei para o Hermann que me sentia angustiada em pensar tirar dinheiro da minha conta e, se alguma coisa acontecesse lá no sul, com minha família, eu não teria como ir. Ele me disse que me ajudaria nesse caso, e que não estou sozinha. Eu me surpreendi comigo mesma. Como foi que cheguei a esse ponto de não pedir ajuda quando preciso, de querer sempre fazer tudo por minha conta, de ser orgulhosa?). Os avaliadores pensaram em subir no sótão para avaliar a caixa d’água, e isso me deu uma angústia enorme. Decidiram não ir, e fiquei aliviada (talvez um estranho estivesse querendo ver e avaliar coisas ainda mais profundas).
Vi a piscina. Lembrei que na casa do Hermann também tinha uma piscina, mas que estava vazia, porque a mãe dele achava que uma piscina daria muito trabalho, e consumiria muita água. A piscina dessa nova casa estava vazia ainda, mas seria cheia, e minha mãe queria isso. Na vida real, minha mãe, e não a do meu namorado acharia que piscina consumiria muita água e daria muito trabalho. A casa estava em reforma, por isso a piscina ainda estava vazia. Talvez a piscina seja nova, talvez só a água esteja prestes a ser trocada. Um novo conteúdo prestes a ser assimilado? Faz sentido.
Escrito por Gil às 13h35
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