O Dia Em Que Vi o Veríssimo
ou
Agora Morro Feliz
ou
Só Falta o Chico
F o i a s s i m: eu estava no trabalho, acabara de pegar a programação da prefeitura de BH para o mês de agosto. Exposição disso, curso daquilo, a 7º Feira de Livros começava naquele dia. Eu já sabia, tinha visto o anúncio no Jornal do Ônibus.
Mas Ele estava lá. Dei um grito quando li Seu nome: Luis Fernando Veríssimo estaria na novidade da feira: o Salão de Idéias, batendo papo com as pessoas presentes. Mais do que depressa e com as mãos já suadas, procurei a data. Era dali a uma hora.
Veríssimo em Belo Horizonte, a poucos metros do lugar onde eu estava! Inacreditável!
Liguei para meu namorado e pedi para que, pelo menos ele fosse Vê-lo. Pedi para que imprimisse o texto que escrevi para Ele e lhe entregasse, já que eu estava no trabalho.
Mas isso não bastava, claro. Eu precisava Vê-lo.
Falei com minha gerente, que, mesmo sem compreender as maiúsculas, deixou-me ir. Mais que isso. Pediu-me para ir em outro lugar, para que os outros funcionários não suspeitassem da minha ausência. A pequena mentira é perdoável, acho.
Peguei um táxi, cheguei esbaforida à feira, e, já com meio coração para fora da boca, vi o que deveria ser o pé do Veríssimo, sobre um palco, cercado de entrevistadores. Mais um pé, pernas, Veríssimo inteiro!
Não desmaiei porque é claro que não seria besta de desmaiar numa hora dessas...
Fiquei ali, esperando uma oportunidade de Lhe falar e entregar o texto que imprimi às pressas antes de chegar.
Tão pertinho! Ele estava a tão poucos passos! Esperei-O perto das escadas, e, quando Ele desceu, eu falei alguma coisa, engasgadamente. Entreguei-Lhe o papel, Ele agradeceu, disse que era um prazer. Queria abraça-lo, dizer um montão de coisas, apertar suas bochechas; mas só gaguejei, e senti o nó na garganta. Me despedi antes de me debulhar em lágrimas. Ainda fiquei olhando Ele por um momento, autografando os livros. Espero que tenha lido meu texto. Diz bem mais do que eu poderia expressar com palavras (mas não mais do que um aperto nas bochechas).
Ao sair, já não podendo mais conter o choro, encontrei meu namorado e desagüei. Tanta gente reclamando que a cidade não tem mar...