
P o u c o a n t e s d e v i r para Belo Horizonte, comentei com o namorado, que esperava não precisar voltar a trabalhar em duas coisas que odiava: padaria e restaurante.
Ao chegar aqui lamentei não ter ainda conseguido fazer a faculdade de psicologia. Pensei, por um instante, que se fosse já formada teria melhores oportunidades de emprego. As filas de profissionais bem formados, nas empresas de RH, os testes sem sentido e a falta de visão de alguns empregadores me fizeram mudar de idéia.
Consegui emprego em uma padaria, como atendente. Como imaginei, não foram as máquinas modernas que facilitaram o trabalho. Alguns tipos de emprego continuam sendo totalmente desumanos. O turno é de 9 horas em pé, com intervalo de 15 minutos, e é necessário nunca ficar parada. A pausa incluía “lanche”: um pão francês com manteiga e uma xícara de café ou chocolate.
O salário da categoria é de 360 reais. Naturalmente é preciso trabalhar aos domingos e feriados.
Fico tentando imaginar o que se passa na cabeça de um empresário desse ramo. Será que existe de fato alguma vantagem em tratar o funcionário como escravo?
Trabalhei somente uma semana na senzala. Em seguida, comecei a trabalhar em um restaurante. Que ironia.
A minha função no restaurante é recepcionar os clientes, ensinar os garçons um mínimo sobre vinho e auxiliar a nova gerente no desafio de transformar funcionários viciados em velhos erros, há anos na casa, em melhores profissionais.
Já tive função semelhante em outro restaurante, e por inúmeras razões, não gostei.
Mas agora sinto que a Fortuna, boa piadista, deu-me uma segunda chance, e dessa vez não vou cometer os mesmos erros do passado.
A volta ao estudo do vinho também está sendo muito estimulante. Por algum tempo esqueci o quanto isso me faz bem.
As coisas estão finalmente se encaminhando, e estou começando a sentir-me em casa nessa cidade.
E a Roda continua girando.
Escrito por Gil às 13h28
[ ]
[ seja curioso ]
|