
T e m u m n o v o link ali do lado. Do blog "Aprenda a Gozar... de verdade". Nada podia ser mais direto. A dona do blog se chama Fabíola Salustiano, tem, ou vai fazer 29 anos, e é casada.
Os puristas defensores do português ortodoxo vão se descabelar em seu site, e os machistas a chamarão de vaca em menos de 5 linhas.
Tenho pena tanto de um como de outro, porque perderão uma excelente oportunidade de evoluir.
Fabíola não é feminista, ainda bem! Ela é uma mulher comum, com problemas, talvez bem maiores que os das outras pessoas, (porque, afinal de contas, mulheres bem resolvidas na cama sempre têem problemas maiores), que aprendeu uma das maiores verdades do universo: o prazer sexual é bom e faz bem.
Quando entrei no seu site pela primeira vez:
-imediatamente percebi os erros de português, diametralmente opostos à imensa qualidade de seus textos.
-dei MUITA risada.
-imaginei que fosse freqüentado por orlas de homens tarados (e não é. Como ela mesma diz, os machões são covardes).
-chorei.
Explico a razão das lágrimas. A cena em que ela descreve como foi comida com os olhos por um débil mental, é extremamente profunda. As mulheres precisam lidar diariamente com homens machistas (machismo: de macho s. m., neol., atitudes ou modos de macho; ideologia segundo a qual o homem domina socialmente a mulher; subalternização da mulher).
E aqui eu deveria falar sobre como fomos criadas e bla blá, mas não vou dizer o que todo mundo já sabe sobre a sociedade, nem botar a culpa num ou outro sexo. Isso jamais funcionou.
O texto me comoveu porque sei que somos uma geração de mulheres que acabaram de se descobrir, que não sabem como lidar com a liberdade recém conquistada, que andam tentando, aos tropeços, submeter os homens àquilo tudo pelo que já passaram, e repetindo os erros cometidos por eles.
Estamos engatinhando ainda, e não sei como serão tratados esses ferimentos que estamos adquirindo ao aprender a levantar-nos, pelas próximas gerações. Tenho medo que passemos mais dois mil anos, agora demonizando o masculino, e não nos unindo a ele.
Chorei porque pensei que fosse uma mulher ousada, e não sou nem metade do que a Fabíola é, e mesmo assim sofro muito com isso. Fiquei imaginando como ela sente-se.
As lágrimas foram também de emoção, por saber que existem mais mulheres que estão buscando o caminho correto, que, ironicamente, sempre foi sabido por tantas civilizações, seitas, doutrinas, há milhares de anos. O caminho do prazer, essencial, divino, gostoso, poderoso e necessário à natureza humana.
Fabíola, você está certa, gozar é preciso.
Escrito por Gil às 21h58
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P o r u m t e m p o v i v e u sob a influência e a verdade do poema que diz que a felicidade está “sempre onde a pomos, e nós nunca a colocamos onde estamos”.
Com o tempo e as intempéries isso deixou de fazer sentido. Da poesia sobrou por pouco tempo apenas a lembrança de quem já foi inocente o suficiente para acreditar.
Quando desacreditou de deus buscava o que?
Que ânsia era aquela?
O que a movia, o que buscava saber?
E agora, que já sabe, que já sei, o que ficou?
Nem lembranças, nem sentido, nada.
Aprendi, como o personagem de Ana Karênina, a brincar de não existir, d e v e z e m q u a n d o.
Escrito por Gil às 02h08
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Esse texto foi escrito pelo Thiago, que me deu a honra de publicá-lo aqui
Parênteses e Travessões
Essa imagem está aqui, como a projeção sobre uma tela de cinema.Como um filme de guerra — não gosto de filmes de ação ou de guerra (não, de alguns eu gosto, mas não me agradam cenas de batalha ou de briga) —; eu tenho ânsia de afastar os globos oculares de mim — é a condição que exijo para manter este sentido do olhar — e de só me aproximar deles quando à minha frente se apresentar um jardim, ou uma floresta, ou um rio, ou um mar, ou o céu azul (anil ou índigo, claro-apático, nublado-soturno ou chuvoso-choroso. Às vezes tudo acaba se dirigindo ao céu — talvez por isso algumas religiões prometam um paraíso acima das nuvens, apelando para um secreto desejo de voar, de ser um anjo ou um deus e flutuar entre as nuvens e sobre elas, quiçá como Peter Pan. Disseram-me algumas pessoas que, quando passam por uma ponte ou passarela, às vezes lhes passa pela cabeça um desejo de saltar e cair (esta seria a principal razão das grades de proteção). Estranho, quando estou num lugar alto tenho o desejo de pular e voar. De volitar por cima de tudo, de sentir o corpo livre do poder da gravidade. Por outro lado, às vezes me acomete o desejo de me aconchegar à gravidade, de me aprofundar no colchão e alfombra, acolhido pela indolência, que entorpece e embriaga o corpo. O que é liberdade? Sentir-se “livre”? Ou não sentir nada?).
Escrito por Gil às 22h24
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S o n h e i c o m m i n h a melhor/distante amiga essa noite. Minutos depois de acordar ela chegou em minha casa. Estava com o carro do namorado/marido, um esporte amarelo, feito a partir de um chassi de fusca, imitação de algum modelo famoso.
Ela havia acabado de tomar três aulas de direção com seu pai. Entrei no carro, abri o teto solar, pus a cabeça pra fora e gritei no melhor estilo Mad Max que pude.
Ela dirigiu com segurança, sequer arranhou a embreagem.
Rodamos pela cidade, sem lenço, sem documento, no primeiro dia de frio intenso do ano.
Paramos, conversamos. Ela acabou de mudar de casa com a família, começou um curso de cabeleireira, está fazendo planos para o futuro. Pela primeira vez.
Não fiquei chateada com as interrupções que seu novo namorado ciumento fez, quando chegamos na casa dela e sentamos longe para conversar com mais privacidade.
Não me irritei quando ele disse que poderíamos conversar na sua frente, já que os dois estavam casados e ele devia saber tudo sobre ela. Apenas respondi que não queria que ele soubesse tudo sobre mim.
Ouvi pacientemente ela me contar que havia tentado terminar o namoro com ele, mas que ao invés disso havia aceitado a mudança dele para sua casa e sua vida, feita em doses homeopáticas, durante quatro meses. Poderia dizer-lhe com antecedência tudo o que ainda não havia saído de sua boca, poderia dizer-lhe com exatidão o que nascerá das sementes que ela está plantando.
Disse-lhe apenas que ela nunca esqueça que jamais foi, nem nunca será uma pessoa medíocre.
Sua família ficou um tanto chocada com a minha presença. Gostam de mim, mas não gostam da mudança.
Depois minha amiga levou-me para casa. Pediu para que eu dirigisse, fez-me dar voltas e mais voltas, gritou com a cabeça para fora do teto solar. O velho carro-imitação pifou e descemos, empurramos, rimos, empurramos novamente.
Enquanto a via partir no carro amarelo, consertado, lembrei-me então de um trecho da ópera Carmina Burana.
“O Fortuna
velut luna
statu variabilis,
semper crescis
aut decrescis...”
“O Fortuna
variável como a lua
cresces sempre
ou diminuis...”
Escrito por Gil às 18h33
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[ seja curioso ]
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