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Música Para Ler Sossegado

 

PARA A B R I R A CABEÇA:

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         Histórico
 

      a b r i n d o


                            

P e g o u   a   m a s s a.

No início não sabia o que fazer, não tinha certeza do que suas mãos iriam parir.

Sentiu o cheiro da massa, o barulho oco que ela fazia ao ser espremida. Sentiu o contato sensual da massa entre seus dedos.

Imaginou que seu gosto poderia ser o de chocolate.

Aos poucos a figura foi deixando de ser disforme. Ganhou uma cabeça, um pequeno e pontudo nariz, olhos fechados e sorridentes, como o risco da boca.

Ganhou longos cabelos esvoaçantes de massa.

Ganhou asas, para combinar com seu espírito selvagem.

Virou novamente uma massa disforme.

Não importava mais. A dona das mãos já havia pego um pouco da sua essência.

 


Escrito por Gil às 01h47 [ ]



                             

 

L a  L o b a  a n d a   p e l a   p a i s a g e m  à procura de ossos.

Ela recolhe todos os tipos que encontra, é seu trabalho. Mas dizem que sua especialidade são os ossos de lobos.

Depois de recolher o esqueleto inteiro, ela o monta à sua frente, e, sentada ao redor do fogo, pensa na canção que irá cantar.

Quando se decide, levanta, aproxima-se do esqueleto e começa.

Então os ossos vão ganhando carne, músculos, pêlos.  A criatura começa a ganhar vida.

La Loba canta mais, com tanta intensidade que o chão do deserto estremece.

O lobo está vivo, respira, abre os olhos, dá um salto e sai correndo pelo desfiladeiro.

Em algum momento da corrida, seja pela água do rio que o lobo atravessa, por um raio de luar que incide sobre sua pelagem ou pela velocidade que ele alcança, transforma-se numa mulher que ri e corre livre na direção do horizonte.

 

Essa lenda, entre outras, é contada no livro Mulheres que Correm com os Lobos, mitos e histórias do arquétipo da mulher selvagem.

Arquétipo é uma espécie de primeiro molde, nesse caso, um “molde” de um estágio feminino, um símbolo que representa uma parte da natureza feminina.

O livro fala, através de histórias antigas, que, por sua vez, nos falam através de símbolos, sobre o resgate da verdadeira natureza feminina.

São curiosos os símbolos e a pouca atenção que dispensamos à eles. Por outro lado, estamos tão intimamente ligados aos símbolos, que histórias como essa podem tocar profundamente as mulheres, embora elas nem sempre possam precisar o que as tocou.

A autora do livro soube usar com perfeição cada símbolo, cada palavra-chave que “abre a porta” para um conhecimento que todas as mulheres possuem, mas que por força das imposições culturais pode estar escondido no fundo da psique.

A verdadeira natureza feminina parece estar soterrada debaixo de dois mil anos de cristianismo, que, também através de símbolos como a mordida na maçã, demonizou o feminino, tornando as mulheres alguma coisa ligada de maneira perversa ao ato sexual.

Nem sempre foi assim. Houve épocas em que a mulher era considerada uma deusa, portadora da vida. O sexo não era vergonhoso nem pecaminoso, mas um ato que permitia aos seres humanos uma aproximação com deus, através do orgasmo.

A vagina da mulher era representada nas artes. A rosa, que até hoje é símbolo da mulher, representa a vagina.

É comum ouvir que a mulher é uma pessoa “eternamente insatisfeita”.

A satisfação que queremos e precisamos alcançar é um eterno objeto de busca, em sua maioria, nos lugares errados. Buscamos nossa verdadeira identidade, que nos foi usurpada quando fomos perseguidas e queimadas vivas, quando passamos a ser “boazinhas” , quando acreditamos que o caminho certo seria nos vestir e nos portar como homens e até mesmo quando fomos feministas. O feminismo nunca foi a favor da verdadeira natureza feminina.

 

 


Escrito por Gil às 20h14 [ ]




Thiago, você tem toda razão, acaba aqui o muro das lamentações. Obrigada.


 


Escrito por Gil às 02h01 [ ]




[ seja curioso ]