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PÁGINAS A B E R T A S

 


Rádio
Música Para Ler Sossegado

 

PARA A B R I R A CABEÇA:

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         Histórico
 

      a b r i n d o


                                >: -/                  X                 O.o

 

 

 

Gil, numa descarada imitação dos Alter Egos, EM:

 

É Preciso Mudar!

 

com  >: - /   como O CHEFE

O.o   como  o funcionário

e O_o  como o colega

 

>: - / Você precisa aprender a ter mais responsabilidade!

O.o  Mas é a primeira vez em dois anos que chego atrasada...

>: - / Uma empresa sólida se constrói com parcerias entre chefes e funcionários!

O.o  Eh, hã, o senhor podia aproveitar a ocasião para ouvir algumas sugestões, eu lido

       diretamente com os clientes, sabe, aí eu...

>: - /  Quieta, eu sou o dono e sei o que é melhor para a minha empresa. E eu sei que  

         preciso de funcionários que vistam a camisa,que não tenham preguiça de trabalhar!

O.o  Bem... e se o senhor nos desse, tipo assim, um incentivo, uma comissão, um  

        elogiozinho de vez em quando, coisa simples...

>: - /  Elogio estraga empregado. E quem não estiver satisfeito com o salário que pago, que

         peça demissão! Se tem uma coisa que não suporto é intransigência!

         É preciso que vocês aprendam de uma vez por todas que o diálogo é fundamental.

O.o  Bip bip bip

>: - / Vejo que finalmente entendeu o que disse! E agora um aviso: cuide melhor do seu

         trabalho. Falo isso como amigo, viu?

 O.o  Bip...

 

O_o  Puxa, ele aprendeu mesmo um monte de coisas no seminário A Empresa do Futuro.

O.o   Bip bip                     


Escrito por Gil às 23h21 [ ]



                                                    

A  s e n s a ç ã o  d e  p e r d e r   o c h ã o   é   r e a l   c o m o  s e  a  c a b e ç a  f o s s e  f e i t a   d e  m á r m o r e

e  d e  r e p e n t e  e u  m e  d e s s e  c o n t a   q u e   

r e s t o  d o  c o r p o  é  f e i t o  d e  c i n z a.  O u  e r a.

D e p o i s   v e i o   a   i l u s ã o  d e  q u e  n a d a  h a v i a  a c o n t e c i d o.

O  b u r a c o  n o  e s t ô m a g o

A  d o r

A s  l á g r i m a s,   i n c o n t i d a s

U m  b r e v e  e n t e n d i m e n t o

R a i v a

D e s p r e z o

E o Vazio, tão familiar.

 


Escrito por Gil às 22h06 [ ]



                                       

E u    t r a b a l h o  a  quatro km de onde moro. O problema não é andar até lá (existe apenas uma linha de ônibus* na cidade, que, acreditem, funciona só no horário comercial), mas sim andar de madrugada para voltar pra casa. Trabalho à noite, dia, madrugada. Meus horários são tão malucos que desisti de me fazer entender.

Durante muitos meses voltei sozinha e a pé nessa cidade violenta. Em casa eu dizia que meu chefe me trazia. No trabalho, afirmava que vinha pra casa de táxi (úh, se fizesse isso acabaria tendo que pagar pra trabalhar).

Eu pensava que mentia para não causar preocupação, mas na verdade eu queria mesmo era levar um tiro fulminante na testa (se pudesse escolher não seria na barriga). O tiro que ia acabar com a minha infelicidade absoluta.

Hoje vejo minha atitude como parte de um passado que não me afeta mais.

Depois de ter-me recuperado da depressão, voltei a querer preservar esse corpinho, inclusive a testa, e para resolver meu problema, comprei uma moto, uma Harley Davidson Compact Plus Desacelerator (= jog velha).

Agora eu quero que o tiro seja na testa dela, a desgraçada.

Já tive problemas com velas (que soube, não podiam ser substituídas pelas de 7 dias), depois motor, bateria, polícia, partida elétrica (que hoje acontece só se cair um raio), um pneu furado, mais um pneu furado, outro pneu furado e, peraí, essa conta está... certa!

Furei o maldito pneu traseiro 4 vezes, a última (que com certeza não será a última), hoje.

Nas primeiras vezes eu me estressei muito. Hoje também, mas foi diferente.

Estou decidida a não pagar mais três reais pelo conserto do pneu e vinte (!!!) pela mão de obra (ou dois reais por um parafuso e oito para colocarem o dito cujo). Até mesmo porque não tenho nenhum dinheiro.

Vou eu mesma consertar. E até tiro foto para provar! Juro pela alma do Trosco (ah, esse eu já entreguei), digo, pela alma do Dyego, que vou conseguir, ou não me chamo mais Raquel!

No momento em que o pneu furou, lembrei de um amigo que me chamou de niilista. Descobri que não sou niilista quando pensei em pichar a única loja da cidade que faz o conserto, com a singela frase:

         “UM DIA VOCÊ VAI TER CONCORRÊNCIA, DESGRAÇADO!”

mas não pichei. Lembrei da polícia e da sua eficiência nos casos mais justos de revolta popular.

Antes de consertar a moto, porém, vou procurar o lugar onde seria sua testa e mirar bem.  Vai que ela se recupera, né?

 


Escrito por Gil às 01h39 [ ]



C h a r r e t e   q u e    p e r d e u   o  c o n d u t o r

 

                                 

 

Hoje, quando estava voltando do trabalho, não sei se por causa da lua cheia, os devaneios que tive durante a tarde ou da consciência de meus trinta e poucos anos, lembrei de uma música que não ouço há anos:

 

"Não importa se só tocam o primeiro acorde da canção

A gente escreve o resto em linhas tortas, nas portas da percepção

Em paredes de banheiro, nas folhas que o outono leva ao chão

Em livros de estórias seremos a memória dos dias que virão

Se é que eles virão

Não importa se só tocam o primeiro verso da canção

A gente escreve o resto sem muita pressa, com muita precisão

Nos interessa o que não foi impresso e continua sendo escrito à mão

Escrito à luz de velas, quase na escuridão, longe da multidão

Somos um exército, o exército de um homem só no difícil exercício de viver em paz

Somos um exército, o exército de um homem só

Sem bandeira, sem fronteiras pra defender

Não importa se só tocam o primeiro acorde da canção

A gente escreve o resto e o resto é resto. É falsificação

Sangue falso, bangue-bangue italiano, suíngue falso, turista americano

Livres desta estória, a nossa trajetória não precisa explicação

E não tem explicação

Somos um exército... Até ...pra defender

Não interessa o que o bom senso diz, não interessa o que diz o rei

Sem o jogo não há juiz, não há jogada fora da lei

Não interessa o que diz o ditado, não interessa o que o Estado diz

Nós falamos outra língua, moramos em outro país

Somos um exército, o exército de um homem só

No difícil exercício de viver em paz

Todos sabem que tanto faz ser culpado ou ser capaz, tanto faz..."

(Engenheiros do Hawai)

 

Senti saudades do tempo em que os jovens ouviam hinos como esse. Pensei por um instante que os anos 80, tão na moda, agora, foram realmente anos de mudanças. Mudanças que produziram adultos como eu, que voltaram ou nem saíram da casa dos pais, pessoas que se perguntam ainda o que desejam, afinal.

A tentação de achar “aquele tempo” melhor que o tempo de outras gerações é muito grande, mas acho que disso já ouvimos o suficiente dos nossos pais, e não vamos repetir o erro. Ou vamos?

Tivemos liberdade de expressão, liberdade sexual, vimos nascer a internet e a tecnologia atual. Tivemos tudo, e nada ao mesmo tempo. Hoje, durante a tarde, observando a propriedade do vizinho, que foi sendo vendida aos poucos até se transformar em apenas uma pequena casa, imaginei que talvez a minha geração tenha aprendido ao menos que não precisa chegar aos 60 anos para concluir que, no fim das contas, tanto faz...

 

 


Escrito por Gil às 02h15 [ ]




[ seja curioso ]