
O s c i n q ü e n t a e poucos quilos de carne, suco gástrico e hormônios estão aqui me lembrando que existo.
Não vou fazer perguntas, não dependo mais de respostas. Será?
Quero apenas dormir e voar em sonhos, esquecer esse incidente que não deveria ter chegado a subir na balança.
Quero voar sobre uma plantação de margaridas plantadas num campo à beira-mar, fechar os olhos e sentir que eles não existem, nunca existiram. Respirar o ar puro que não vai entrar pelos pulmões, não vai oxigenar células de sangue cheias de DNA impossível.
Depois acordo, leve/pesada, sentindo que talvez possa aceitar as desculpas pelo inconveniente.
imagem: eu + paint = isso aí
Escrito por Gil às 14h49
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O s m i l i t a r e s d e t o n a r a m uma bomba no teatro em que a peça Roda Viva, de Chico Buarque, estava sendo encenada, nos idos da repressão. Tem gente que vive ainda hoje dos feitos dessa época, e até me enjoa ouvir falar em militarismo. Mas em relação ao Chico não se pode falar nada contra. A letra da música que inspirou a peça (ou o inverso) tem um poder bem maior que a explosão de uma bomba.
Chico Buarque - Roda Viva
Tem dias que a gente se sente Como quem partiu ou morreu A gente estancou de repente Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa No nosso destino mandar Mas eis que chega a roda viva E carrega o destino prá lá...
Roda mundo roda gigante Roda moinho, roda pião O tempo rodou num instante Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente Até não poder resistir Na volta do barco é que sente O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva A mais linda roseira que há Mas eis que chega a roda viva E carrega a roseira prá lá
A roda da saia mulata Não quer mais rodar não senhor Não posso fazer serenata A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa Viola na rua a cantar Mas eis que chega a roda viva E carrega a viola prá lá
O samba, a viola, a roseira Um dia a fogueira queimou Foi tudo ilusão passageira Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa Faz força pro tempo parar Mas eis que chega a roda viva E carrega a saudade prá lá...
Escrito por Gil às 23h38
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F i c o u b u s c a n d o c a u s a s para sua dor, e permaneceu assim, encolhida em posição fetal.
Será que a dor poderia ser retirada com um bisturi aplicado no lugar certo do cérebro?
Sabia que em alguns momentos um pouco de dor poderia provocar prazer, mas naquele instante a dor só doía, doía...
Será que um dia havia sido realmente feliz
Sentiu falta do ponto de interrogação ao fim da frase.
Sim, um bisturi aliviaria. Ou o colo de alguém que não lhe fizesse perguntas, e no qual pudesse apenas descansar a cabeça e continuar chorando em posição fetal.
V o c ê t e m q u e arrumar um emprego, ou acha que vou te sustentar pelo resto da tua vida?
...
Porque ela te mandou embora?
Disse que eu não dava conta do trabalho.
Mas não era só limpar?
Não, eu tinha que bater rápido numas teclas enquanto ela via a amostra de sangue no microscópio, tinha que fazer o exame de fezes e urina, e anotar tudo direitinho.
Foi falta de esforço teu, você é uma vadia que não quer trabalhar, isso sim!
...
(Mas mãe, eu só tenho 13 anos!).
Fiquei com medo de te mostrar pro teu pai. Ele queria um menino, mas veio você.
Se comporte mal pra você ver como o diabinho vai sair debaixo da tua cama pra te pegar!
Ou faz o que mando, ou fora dessa casa!
Você vai acabar ficando igualzinha à sua mãe.
...
(Tenho medo que isso aconteça).
Fotos de Jô Name
Escrito por Gil às 02h16
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