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S e u p é d i r e i t o colocou-se frente ao esquerdo, e depois foi a vez do esquerdo colocar-se na frente do direito, numa distância de trinta centímetros aproximadamente, variando de um passo ao outro. As pernas naturalmente acompanhavam o movimento, e os braços estavam estendidos ao longo do corpo. Vestia um pijama listrado de azul, ou branco, isso dependeria de qual das cores chamaríamos de listras. O cabelo estava emaranhado, como se tivesse acabado de sair do travesseiro. Por debaixo dele passavam lembranças do sonho que havia acabado de ter. Alguma coisa a ver com piscina e milho. Tentou capturar a imagem, mas, como sempre acontece, ela deslizou para algum canto mais sossegado de sua mente. Olhou para o relógio digital e viu as horas: 3:55. Pensou na quantidade de trabalho acumulado para o dia seguinte, ou, aquela manhã. Por alguma razão, pensou em aspirinas, um presépio que viu havia anos, e uma coleção de selos. Atravessou o umbral da porta, já aberta, da cozinha. Toda branca, com puxadores cinzas, como os da geladeira e fogão. Dirigiu-se até o armário, abriu a segunda porta da direita e pegou um copo de vidro transparente. Abriu a torneira e esperou que o copo se enchesse. Bebeu a água toda em quatro goles.
Ou:
Levantou pra tomar água.
Algumas pequenas frases contém um universo inteiro, e no caso da frase mais esperada do livro final da série O Guia do Mochileiro das Galáxias, o Até Mais, e Obrigada Pelos Peixes, isso não é exagero.
Chorei assim que li, e trouxe-me uma satisfação jamais sentida.
Tive essa vontade de encher lingüiça quando tudo podia ser simples pra caralho. A encheção de lingüiça, ou, o texto ali em cima, é uma paródia da vida, e o palavrão é só pra não perder o hábito, já que esse blog não parece mais o que foi um dia.
Estou morrendo de vontade de escrever aqui a frase que resume tudo, inclusive a existência, mas vou me controlar. Meus três leitores terão que ler os 4 livros da série para descobrir. Facilitarei as coisas dizendo os outros títulos: A Vida, o Universo e Tudo o Mais, e O Restaurante no Fim do Universo. Não vou dizer a ordem deles porque daí seria muita moleza.
Se você passar do primeiro sem torcer o nariz ou ficar maluco, ou tentar errar o chão, chegará ao último numa velocidade incrível. Uma dica: não tente errar o chão, mas se conseguir me avise que daí eu tento também.
Escrito por gil às 01h31
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