D E T R Á S P R A F R E N T E

S e n t i r a m o g o s t o do sangue, e do amor, na boca um do outro.
As línguas ensangüentadas, o sangue ainda quente.
Ele lambeu os seios vermelhos dela, mordiscou de leve seus mamilos.
Ela sorveu o líquido vermelho que acabara de derramar sobre o peito dele, do lado esquerdo.
Escorria e tingia a pele.
E excitava.
Não era de tamanho suficiente para chamar muito a atenção das pessoas.
O corte no pulso.
Não doeu, foi só uma picadinha.
Hoje toca: Pearl Jam, I am Mine http://vagalume.uol.com.br/pearl-jam/i-am-mine-(traducao).html
Escrito por gil às 00h33
[ ]
Quero cantar só pras pessoas fracas, que estão no mundo e perderam a viagem, inclusive pra mim mesma.
Hoje toca: Blues da Piedade http://vagalume.uol.com.br/cazuza/blues-da-piedade.html
Escrito por gil às 15h04
[ ]
T A B U
T e v e v o n t a d e de dizer para o marido que não, não era dor de cabeça, era só falta de tesão.
Tinha a impressão que todas as mulheres do mundo sentiam prazer, menos ela. Já consultara as revistas e o ginecologista, e parecia não ter nada de errado com seu corpo.
Tentou tocar no assunto com algumas amigas, mas ao falar sobre orgasmo, todas escapuliram de fininho. Ninguém falava sobre isso. Sobre dar ou não dar, falavam. Os menores detalhes não escapavam. Coisas que se os namorados das amigas soubessem que eram partilhados entre risinhos, certamente ficariam muito furiosos.
Mas nunca ouvira uma amiga dizer nada parecido com “gozei a noite toda!”.
Com as amigas casadas havia uma cumplicidade muda.
Quando ainda namorada, deu por curiosidade, porque lhe reinvidicaram, e até por tesão.
Mas quando viu-se casada, foi mesmo por obrigação. Como quem faz um favor a contragosto. Fantasias não resolveram, e depois de todas as possibilidades findas, culpou o marido pela falta do principal. E ele, definitivamente, não tinha como mudar.
Então resolveu ter filhos.
Escrito por gil às 14h15
[ ]
M E B A TA !

O marido pensou não ter ouvido bem.
Me bata, AGORA!
Ele demorou para perceber que ela falava a sério. Não conhecia aquela mulher de trinta e poucos anos que estava ali em cima dele, nua, deixando à mostra os seios derrubados pelas mamadas dos três filhos.
Ela mesma não se conhecia, até aquele momento. Do nada surgiu a vontade incontrolável de fazer sexo como nunca havia feito. Até aquele momento eram poucas coisas nas quais pensava. Coisas que podiam até ser contadas nos dedos: a caçula que estava demorando a falar, os seios caídos, as contas, a possibilidade de comprar um carro novo, o marido que era tão bonzinho, e tão... sem graça! E ainda lhe sobravam dedos.
Ele não se decidia pelo que pensar da ordem recebida. Amava aquela mulher. Talvez não como antes, talvez na verdade nem a amasse mais, talvez dizer: "eu te amo" tivesse se transformado no mesmo que dizer: "Lojas X, bom dia". Nunca havia traído, não achava justa a traição. Tentava ser um bom marido. Pensava nos filhos, no trabalho, nela, a mãe de seus filhos, não uma ninfomaníaca. Não insistia se ela não queria sexo, virava de costas e dormia. Sabia que depois de tantos anos o tesão diminuiria.
Ela usava somente roupas discretas, não era bonita, nem feia. Seu corpo denunciava que era mãe. Teve filhos porque, bem... um dia tinha que ter. Era contra a violência, como todo mundo, por isso não sabia o que pensar daquele desejo súbito que a deixava molhada e caçoava da sua civilidade.
ME BATA LOGO!
Era tudo muito novo para ele. Não sabia o que fazer com a desconhecida. Não queria dizer não, mas também não queria bater. Não era um homem violento. Foi obrigado a parar de pensar quando os dedos dela alcançaram seu rosto. Os dois lados da face ardiam. Sentiu-se humilhado e furioso.
E agora, vai ou não vai me bater?
Ilustracion: Aparicio Hernandez
Hoje toca: Voxfera, Era - http://vagalume.uol.com.br/era/voxifera-traducao.html
Escrito por gil às 14h47
[ ]
"Escolha"
O q u e p r e f e r e, carne podre ou lingüiça estragada?
Fiquei procurando a tecla "vai-pra-puta-que-pariu", e, na falta dela, apertei a "foda-se", (na minha tradução) e "confirma".
Que saudade do papel e caneta na hora da votação!
Hoje toca: Partido Alto, de Chico Buarque, na voz de Cássia Eller
Escrito por gil às 15h43
[ ]
"V o c ê p r e c i s a continuar escrevendo. E precisa mostrar!"
Desde o dia em que o Neville (grande amigo, músico, poeta, escritor) disse-me isso ao ler um texto que eu insistia em manter escondido, até o momento, passaram-se uns quatro ou cinco anos. A falta de precisão se deve à minha insistência em medir o tempo por acontecimentos e não por horas, dias ou anos.
O dia em que conheci a Andréa foi o momento em que aprendi a rir de mim mesma e não levar a vida muito a sério. Quando eu e a Carla fomos morar juntas, descobri como conviver em harmonia perfeita com alguém que não tem os mesmos gostos e hábitos. Aprendi a aceitar a diferença. Quando li George Orwell meu horizonte se ampliou. Percebi que tudo o que fazemos é inútil. Quando tornei-me tia, desejei construir um futuro melhor. Quando descobri Freud, aprendi a importância do autoconhecimento.
O Neville ensinou-me muito mais do que supunha transmitir, num bom exemplo da Teoria do Caos.
Mas foi quando conheci o Hermann que toda minha vida fez sentido.
Foi quando o “vi” (entre as aspas por ter sido na internet nosso primeiro contato) que descobri porque vivo, e porque ele vive.
Nesse imprevisível bater de asas da borboleta estamos todos nós.
E espero (e quem não espera?) através desse projeto, quem sabe (porque não?) causar um furacão.
Agradecer às pessoas que até então passearam por minha vida, pela imensurável amizade e crescimento que me proporcionaram, é relativamente fácil. Ao Hermann, nunca poderei agradecer o suficiente.
Escrito por gil às 03h04
[ ]
F i c a a q u i minha pequena homenagem ao Neville. Um poema que ele fez para me presentear.
À ti
Nada é tão belo
tão puro
tão docemente feroz
quanto meu amor por você
Nada me assusta
exceto vê-la passear
espalhando meiguice, dengo, mimo
Espalhando, determinada... sua luz!
O modo como olha:
-extrema visão da magia –
existente atrás daqueles seios úmidos
de uma delicada mordida
que ainda não dei...
Só tem seu perfume em meu nariz
pode alguém amar assim?
Uma miragem de mulher
um sorriso perfeito
entre os lábios que só foram feitos para serem amados
por alguém que saiba
Não pare em minha frente!
não gire, não faça um só movimento!
Não agüento
tê-la tão perto
extrema estrela do universo
sem poder lhe abraçar
Neville Lyon
Escrito por gil às 03h02
[ ]
[ seja curioso ]
|